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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Férias.

Férias é uma desgraça, acho que a empresa tinha que pagar pro proletário pela insalubridade nas férias. A gente viaja, pouco tempo, mesmo assim o cartão de crédito tá tão cheio que se soltar o bicho ele sai pulando pulsante, depois volta pra casa e fica nessa vida de beslicar bolo velho na geladeira, esquentar o bunda no sofá e quando não dá mais vem pra internet, isso tudo trancado num caixote com as janelas fechadas, porque presseslados se der bobeira o sujeito entra na casa e te leva com a cadeira.
Eu me sinto uma mutante, to respirando meu próprio gás carbônico e ainda assim sobrevivendo, minha casa virou uma fôrma de arroz de forno, ela fica aqui parada enquanto o sol a esquenta até ferver. Ar condicionado pra que por aqui? Pra quebrar, então a gente fica no Britânia, mas chega 11:37 ele não dá conta mais, a gente joga água no rosto, toma outro banho, abre a geladeira só pra pegar o frescor e volta pra aquela vida, beslicar bolo velho, ver televisão e contribuir para estatística dos brasileiros inúteis que não saem da frente do computador, tem colônia de férias pra operário?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A escrita vem da codificação de símbolos, e são símbolos somente as palavras? Os símbolos são tudo aquilo que vemos, ouvimos, sentimos e interpretamos de alguma forma. É preciso ler então para escrever decentemente? Acredito que não, acredito que é preciso filtrar bem, observar bem, ter boa coerência, bom armazenamento de idéias, ter boa interpretação e isso se aprende vivendo. Tem gente velha que não viveu nada, tem gente nova que viveu muito, isso vai de cada um, por isso ambos nos surpreendem na escrita, positivamente ou negativamente. Os símbolos são tudo aquilo que nos faz algum sentido, que constrói alguma idéia, esse estigma de debruçar em livros pra ter uma boa escrita é um tanto falho, não tiro o mérito da leitura, ela ajuda a ter boa coesão, ortografia, construção de estilo literário, mas a leitura não é tudo para um bom escritor, a sensibilidade de desfragmentar os símbolos brutos faz com a pessoa seja um bom escritor.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Olhos.

Aqueles olhos de fogo fumegavam, eram duas amendôas negras e brilhantes, que olhavam debaixo para cima sendo pleinadas por belos cílios moldados por rímel, diziam em uníssono: tesão.

Ausente.

Era do tipo menina-mulher que precisava de uns rompantes na vida pra devolver sua alegria em relação as pessoas. Por ausência, achava, por um momento que tinha errado com o ausente, tinha magoado, decepcionado, não entendia que a vida seguia do lado de lá e que as cores e as formas, as lembranças ficam dentro da cabeça, naquele campo emocional que já não fica metaforicamente no coração. Mas é só o ausente aparecer de novo e tratá-la com o mesmo calor que fica tudo bem, ela quase se auto-flagela com um beliscão e resmunga: "Que asno sou!".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

?

O tanto que ja me ensaiei pra você, fui e voltei, fiz e refiz, tava indo, chegando e parei. Pensei bem no que perder, ganhar talvez, fiz assim, de longe, respirei fundo, dei pausa, observei, só assim te entendi, te filmei, e vi que não era bem aquilo que eu queria pra mim, ou por um momento.

Canina menina felina.

Seus olhos de felina, menina, tua personalidade canina.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mariana

Era 14 de Janeiro de 1988, e como de costume, o verão. Assim veio ela, registrada Mariana, veio junto do sol daquele tempo iluminar a vida de alguém e de alguns. Tão pequena, tão frágil, tão forte, tão sadia. Sua mãe a olhou com os olhos que Mariana herdara, não de cor, mas de formato, com alegria e amor. Por azar ou sorte, só a conheci dois anos depois, eu não entendia muito bem o que era ser, ou estar, estava na mesma condição de Mariana no dia 14 de Janeiro de 1988, chegando ainda, apenas sendo olhada com olhos semelhantes e desiguais, mas sem enxergar nada. Com o tempo a conheci e gostei, não por alguém ter me falado que era do meu sangue, mas por ela ser extremamente diferente de mim, preenchendo os buracos do meu eu. Hoje, 14 de Janeiro de 2010, passaram-se 22 anos e eu ainda sinto e penso a mesma coisa de la, nem mais, nem menos, admiração.