A brisa chegou no Mato Grosso e com o feriado dos mortos na segunda feira as amigas de que estudam na capital vieram, em especial a ruiva Heloisa. Queria um programa so desse sexo, fomos beber uma cerveja tão gelada quanto o clima que estava. Aquele cardume de mulher, porque somos peixas. Bebemos, rimos, comemos petiscos e assustamos os homens pra variar - nossos papos costumam ser incomuns e não compatível com toda a jovialidade e beleza e carregamos no rosto -. Era um posto de gasolina, numa daquelas conveniências, que não exigem maquiagem, salto ou qualquer roupa da moda. Dentre tantas risadas e colocações apelativas, escuto aquele som bem baixo, quase imperceptível vindo de uma caixa de som média parafusada na pilastra para fazer o som ambiente, era uma música que eu não ouvia há anos e que tanto gosto, não imaginei que na terra da música sertaneja escutaria essa música que tanto me toca os sentidos, não lembro o nome do cantor, só da melodia e ela mexeu comigo e com o meu passado de tal forma que até agora não saiu da minha cabeça..."your body is a wonderland, I'll use my hands...".
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
Velhamente jovem.
Há quem duvide que ela não tenha se entregado tanto para tantos homens de verdade, aquela sua posição assexuada de quem trabalha e faz faculdade, falando bonito, pesquisando profundo, a sua pouca idade parece que nega aquilo que ja viveu. Os homens que a querem criam em suas cabeças a sua fantasia de que ela ainda sabe pouco e de que são eles quem vão mostra-lhe o que é sexo de verdade. Ah! Mal sabe eles de quantas vezes ela ja suou num corpo masculino de meia-idade, quantas vezes ela ja se fez de iludida e puxou o tapete antes que fosse puxado o seu, as tantas posições além do kama sutra que ja fizera com esses tantos homens. Começara cedo na vida sexual, e se arrepende um pouco de ter largado a boneca que ganhou naquele ano para colar no suor masculino. A sinceridade com que abre sua vida é resquício da ingenuidade da sua idade. Esses homens, os anos passam, os séculos, e o seu desejo esquisito de romper uma pele perdura, não sabem ainda extrair o que há de melhor naquela doce jovem que ja se entregou tanto, não que agora ame menos depois de tanta entrega, mas precisa de mais, mais aceitação do que critica, mais elogio do que esculhambação.
A sua pele é branca, lhe conferindo um ar inocente, mas nada que uns dias sob o sol lhe tire essa aparência.
A sua pele é branca, lhe conferindo um ar inocente, mas nada que uns dias sob o sol lhe tire essa aparência.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Aquela matogrossense tão tarde.
Suor sem tesão é jantar chique sem ovas de esturjão.
Era tarde, tarde quente e solitária, com aquele sol escaldante do norte mato-grossense. O suor vinha da cabeça e parecia fazer curva nos dedos e colar na planta dos pés, sem gotejar, caminhando por cada traço do rosto, como um rio que acaba de estourar na nascente.
Não era a única tarde que era assim, e o desejo dela era não estar ali, sentindo que seu corpo entrava em erupção agoniante, desejava que fosse de tesão, mas era de tédio naquele semi-árido escondido dentro da densa amazônia.
Suplicava pelas noites médias, médias em ocasião e temperatura, abria uma fresta da janela para sentir aquele vento morno tocar o seu corpo, pedia uma cerveja gelada, mas lembrava que naquele bar só tocava música sertaneja.
Havia sete meses que estava reclusa naquele lugar, na convivência de pseudo-sertanejos, de músicas sertanejas da modinha, aquilo não era pra ela, não por não gostar da música, mas por falta da diversidade de cultura que ja tinha vivenciado um dia.
Foi ali que ela descobriu o inferno: calor, suor, tédio, pseudo-sertanejos, sem tesão.
Por Janaina Marques.
Não era a única tarde que era assim, e o desejo dela era não estar ali, sentindo que seu corpo entrava em erupção agoniante, desejava que fosse de tesão, mas era de tédio naquele semi-árido escondido dentro da densa amazônia.
Suplicava pelas noites médias, médias em ocasião e temperatura, abria uma fresta da janela para sentir aquele vento morno tocar o seu corpo, pedia uma cerveja gelada, mas lembrava que naquele bar só tocava música sertaneja.
Havia sete meses que estava reclusa naquele lugar, na convivência de pseudo-sertanejos, de músicas sertanejas da modinha, aquilo não era pra ela, não por não gostar da música, mas por falta da diversidade de cultura que ja tinha vivenciado um dia.
Foi ali que ela descobriu o inferno: calor, suor, tédio, pseudo-sertanejos, sem tesão.
Por Janaina Marques.
O leite berrou, bebi o leiteiro, o sol girou e a água fervendo.
A manhã matogrossense acorda morna, como o leite que o leiteiro deixou na minha porta seguido de um berro de presença. O céu é laranja, o sol aponta no horizonte facilmente por a terra ser plana, aqui neste nortão as árvores são longas, parecem ser empurradas pelos raios amarelo-ouro. Essa cidade parece um equilibrista, está em cima da corda entre o clima úmido amazônico e o clima excessivamente quente e seco do cerrado.
Ao espiar pela janela já posso ver as mulheres se acomodarem na frente das suas casas com suas cadeiras de praia que vêem mar uma vez na vida, elas pegam a cuia ja com a erva preparada e enche de água fervente, passam a cuia pela roda entre as outras como se fosse um ritual. Mas por que essa "sulice" nesse norte do Mato Grosso? Esse lugar é uma réplica cultural e urbana paranaense, catarinense e sul-riograndense numa clareira gigante e crescente como uma vida cresce depois de a fecundação.
por Janaina Marques.
Ao espiar pela janela já posso ver as mulheres se acomodarem na frente das suas casas com suas cadeiras de praia que vêem mar uma vez na vida, elas pegam a cuia ja com a erva preparada e enche de água fervente, passam a cuia pela roda entre as outras como se fosse um ritual. Mas por que essa "sulice" nesse norte do Mato Grosso? Esse lugar é uma réplica cultural e urbana paranaense, catarinense e sul-riograndense numa clareira gigante e crescente como uma vida cresce depois de a fecundação.
por Janaina Marques.
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